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Erva-mate e chimarrão: o impacto do consumo frequente no esôfago e no estômago

Erva-mate e chimarrão: o impacto do consumo frequente no esôfago e no estômago
20 de agosto de 2026adminGastroenterologiachimarrãoerva-mateesôfagoestômagogastroenterologiaPronto GastrorefluxoSaúde Digestiva

O chimarrão é uma das bebidas mais queridas do Brasil, especialmente na região Sul. Feito com água quente e erva-mate, ele faz parte da rotina de milhões de pessoas. Mas você sabia que o consumo frequente dessa bebida pode ter impacto direto no esôfago e no estômago? Neste artigo, vamos explicar, de forma simples e clara, o que acontece no sistema digestivo quando o chimarrão é consumido com regularidade e quais sinais merecem atenção.

Por que o chimarrão pode afetar o sistema digestivo?

O chimarrão combina dois fatores que podem ser desafiadores para o trato digestivo: a temperatura elevada e a presença de cafeína (também chamada de mateína na erva-mate). A água do chimarrão costuma ser servida a cerca de 70°C a 80°C, o que é suficiente para causar uma agressão térmica à mucosa do esôfago e do estômago quando bebida repetidamente ao longo do dia.

Além disso, a cafeína estimula a produção de ácido gástrico, o que pode deixar o estômago mais ácido e sensível. O resultado é uma combinação que, em pessoas predispostas, pode levar a inflamações, desconforto e até lesões na mucosa.

Efeitos no estômago: da saciedade à gastrite

O estômago é um órgão musculoso que recebe o alimento e o ácido gástrico. Quando a bebida muito quente chega ao estômago, ela pode irritar a camada interna (a mucosa gástrica). Se isso acontece com frequência, o estômago pode inflamar, caracterizando uma gastrite.

Os principais sintomas dessa irritação incluem:

  • Sensação de queimação ou dor na parte superior do abdômen;
  • Enjoo e mal-estar após as refeições;
  • Inchaço e gases;
  • Arrotos frequentes;
  • Sensação de estômago cheio mesmo com pouca comida.

Nem todo mundo que toma chimarrão terá esses sintomas, mas quem já tem predisposição a gastrite ou refluxo pode perceber um aumento do desconforto.

Efeitos no esôfago: calor e refluxo

O esôfago é um tubo delicado que leva o alimento da boca ao estômago. Ele não é preparado para receber temperaturas muito altas ou conteúdo ácido com frequência. O consumo de chimarrão bem quente pode causar uma agressão térmica à parede do esôfago, o que, ao longo do tempo, pode estar associado a alterações celulares.

Além disso, a cafeína relaxa o esfíncter esofágico inferior, uma espécie de válvula que impede o retorno do ácido do estômago para o esôfago. Quando essa válvula relaxa demais, ocorre o refluxo gastroesofágico, que é o retorno do conteúdo ácido para o esôfago. Isso provoca a clássica azia.

Os sinais de que o esôfago está sofrendo incluem:

  • Azia ou queimação atrás do peito;
  • Regurgitação (volta do alimento ou líquido na boca);
  • Dor ou dificuldade para engolir;
  • Sensação de “nó” na garganta;
  • Tosse seca e chiado, principalmente à noite.

Esses sintomas não devem ser ignorados, principalmente se forem recorrentes.

Sintomas comuns: quando o corpo avisa?

Nosso corpo tem maneiras de sinalizar que algo está errado. Se você toma chimarrão diariamente e percebe algum dos sintomas abaixo com frequência, é importante prestar atenção:

  • Azia depois de tomar o chimarrão, mesmo em pequenas quantidades;
  • Dor abdominal que melhora com alimentação ou piora com a bebida;
  • Arrotos excessivos ou distensão abdominal;
  • Sensação de estômago pesado que dura horas;
  • Tosse crônica sem causa respiratória clara;
  • Rouquidão ou pigarro frequente.

Lembrando que esses sintomas podem estar relacionados a outras condições, por isso é fundamental não se autodiagnosticar.

Quando é hora de procurar um especialista?

Se os sintomas forem frequentes (mais de duas vezes por semana) ou persistentes, marque uma consulta com um gastroenterologista. Também é recomendado procurar avaliação se você notar perda de peso sem explicação, dificuldade para engolir ou vômitos frequentes.

Na consulta, o especialista fará uma anamnese detalhada e pode solicitar exames, como a endoscopia digestiva alta. Esse exame permite a visualização direta do esôfago e do estômago, avaliando se há inflamação, lesões ou outros problemas. É um procedimento seguro, realizado com sedação, e que fornece informações essenciais para o diagnóstico e tratamento.

Como manter o prazer do chimarrão com mais cuidado?

Se você não quer abrir mão da sua cuia, alguns cuidados podem reduzir o impacto no sistema digestivo:

  • Espere a água esfriar um pouco antes de encher a cuia – o ideal é que fique em torno de 60°C a 70°C;
  • Evite tomar chimarrão em jejum;
  • Modere a quantidade de vezes por dia;
  • Se sentir qualquer desconforto, reduza ou interrompa o consumo por alguns dias;
  • Dê preferência a ervas que não sejam muito “fortes”, se a sua digestão for sensível;
  • Não tome chimarrão muito rapidamente; saboreie aos poucos.

Essas medidas ajudam a minimizar a irritação, mas não substituem a avaliação médica quando os sintomas já estão presentes.

Conclusão

O chimarrão é uma tradição cultural e afetiva, mas o consumo frequente pode sobrecarregar o esôfago e o estômago. A temperatura elevada e a cafeína da erva-mate são os principais responsáveis pela irritação da mucosa e pelo estímulo ao refluxo. Conhecer os sinais do corpo é o primeiro passo para manter a saúde digestiva em dia.

Se os sintomas forem frequentes ou persistentes, procure avaliação com um especialista da Clínica Pronto Gastro. Cuidar da saúde digestiva é essencial para aproveitar a vida com bem-estar.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser individualizados por um profissional de saúde.

 

👨‍⚕️ Responsável Técnico: Dr. José Luiz Capalbo – CRM: 71430-SP
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