Deficiência de sucrase-isomaltase em adultos

A deficiência de sucrase-isomaltase é um distúrbio em que falta (ou funciona mal) uma enzima da borda em escova do intestino delgado responsável por digerir:
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Sacarose (açúcar comum, presente em doces, sucos, refrigerantes, sobremesas)
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Parte dos amidos (como pães, massas, batata, arroz, farinhas)
Quando esses açúcares não são bem quebrados, chegam ao intestino grosso quase “inteiros”, onde são fermentados pelas bactérias, gerando gases, distensão, cólicas e diarreia.
Embora muitas vezes seja vista como uma condição congênita (desde a infância), alguns casos só são reconhecidos na vida adulta, principalmente em quadros persistentes de “intestino irritado” que nunca melhoram completamente.
Por que isso pode aparecer (ou ser percebido) em adultos?
Alguns adultos:
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Têm formas parciais/militares da deficiência, com alguma atividade enzimática preservada;
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Compensaram durante anos com hábitos alimentares, evitando intuitivamente aquilo que faz mal;
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Foram diagnosticados como tendo síndrome do intestino irritável (SII) ou “intolerância inespecífica”, sem investigação mais detalhada.
Quando a dieta muda (mais doces, ultraprocessados, bebidas açucaradas, grandes quantidades de carboidratos), os sintomas podem se intensificar, chamando atenção para uma causa específica.
Sintomas da deficiência de sucrase-isomaltase em adultos
Os sintomas costumam surgir após ingestão de açúcar comum (sacarose) e alguns amidos, com intensidade variável:
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Diarreia ou fezes pastosas, muitas vezes logo após as refeições;
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Gases em excesso, barulhos intestinais (borborigmos);
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Distensão abdominal (barriga estufada) e desconforto;
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Cólica ou dor tipo cólica, especialmente após doces, sobremesas, refrigerantes e alimentos ricos em farinha;
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Em alguns casos, náusea e mal-estar geral;
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Sintomas que melhoram nos períodos em que a pessoa reduz açúcar/amido, e pioram quando volta a consumir.
Não raro, o quadro é confundido com:
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Intolerância à lactose (embora o gatilho principal seja sacarose e amido);
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SII com predomínio de diarreia;
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“Gastrite nervosa” ou “intestino ansioso”.
Quando suspeitar dessa deficiência em adultos
Algumas características levantam a suspeita:
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Sintomas claramente ligados a doces, refrigerantes, sucos adoçados, sobremesas, pães/massas;
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Múltiplos diagnósticos ou tratamentos para “intestino irritável” com melhora apenas parcial;
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Testes para lactose, glúten, doença celíaca, parasitoses e outras causas já negativos, e o quadro persiste;
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História desde jovem de “não cair bem” com açúcar ou “não tolerar sobremesas”, mas com piora na vida adulta.
Observar e anotar o que comeu e como o intestino reagiu por alguns dias ajuda bastante na consulta.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico exige correlação entre história clínica e exames específicos. Entre as possibilidades:
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Biópsia de intestino delgado com estudo de atividade de dissacaridases (incluindo sucrase-isomaltase);
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Testes respiratórios com sobrecarga de sacarose em centros especializados;
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Em alguns casos selecionados, testes genéticos podem ser considerados;
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Avaliação nutricional e exclusão de outras causas de diarreia crônica (celíaca, inflamatória, infecciosa, pancreática).
Nem sempre todos esses exames são necessários; a escolha é feita pelo especialista conforme quadro e disponibilidade.
Tratamento: dieta, ajustes e, em alguns casos, enzimas
O manejo da deficiência de sucrase-isomaltase em adultos inclui:
1) Ajustes alimentares
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Reduzir ou evitar alimentos ricos em sacarose: açúcar de mesa, doces, sobremesas, refrigerantes, sucos industrializados, xaropes;
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Ajustar o consumo de amidos, dando preferência a porções moderadas e verificando tolerância individual a pães, massas, batata, arroz etc.;
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Ler rótulos para identificar sacarose e xaropes de açúcar;
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Em muitos casos, o foco é modular a quantidade em vez de retirar tudo de uma vez – sempre sob orientação.
2) Enzima de reposição
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Em alguns países há preparações de sucrase exógena (como a sacarase derivada de leveduras) que ajudam a digerir sacarose em situações específicas;
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A indicação é individualizada e depende de disponibilidade e custo.
3) Planejamento nutricional personalizado
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Montar um plano que mantenha ingestão adequada de calorias, fibras e micronutrientes, evitando restrições excessivas;
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Ajustar consumo de outros FODMAPs (lactose, frutose, poliálcoois) quando o intestino é muito sensível.
Impacto na qualidade de vida e importância do diagnóstico correto
Viver com diarreia recorrente, distensão e desconforto após as refeições impacta:
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Rotina social e profissional;
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Viagens, eventos e momentos de lazer;
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Relação com a comida (medo de comer fora, sensação de “intestino fraco”).
Identificar a deficiência de sucrase-isomaltase permite:
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Reduzir o uso repetido de medicações sintomáticas;
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Evitar rótulos genéricos de “intestino irritável” quando há uma causa concreta;
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Planejar alimentação e, quando disponível, uso de enzimas de forma estratégica, trazendo previsibilidade e segurança ao paciente.
Clínica Pronto Gastro São Paulo
Responsável Técnico: Dr. José Luiz Capalbo – CRM: 71430-SP
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