A relação entre anti-inflamatórios e úlceras duodenais

Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) – como ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno, cetoprofeno e outros – são amplamente usados para dor e inflamação.
O problema é que, além de aliviar sintomas, eles bloqueiam a produção de prostaglandinas, substâncias que protegem a mucosa do estômago e do duodeno.
Com menos prostaglandinas, acontece uma combinação perigosa:
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Diminuição da produção de muco e bicarbonato protetor
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Redução do fluxo sanguíneo da mucosa
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Aumento da susceptibilidade ao ácido gástrico
O resultado pode ser o aparecimento de erosões e úlceras na primeira porção do intestino delgado (duodeno), muitas vezes sem dor evidente.
Fatores que aumentam o risco de úlcera por AINE
Algumas situações tornam o duodeno ainda mais vulnerável:
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Idade acima de 60–65 anos
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Uso de AINE em doses altas ou por tempo prolongado
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Associação com aspirina, corticoides ou anticoagulantes
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História prévia de úlcera ou sangramento digestivo
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Infecção por Helicobacter pylori não tratada
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Doenças graves associadas (cardíacas, renais, hepáticas)
Nessas pessoas, a combinação de AINE + outros fatores pode levar a sangramentos importantes, mesmo sem dor intensa prévia.
Úlcera duodenal “silenciosa”: como ela se manifesta
Nem sempre há a dor clássica em “boca do estômago”. Muitas vezes, o quadro é discreto até que surja complicação:
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Anemia (cansaço, palidez, queda de rendimento)
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Fezes escurecidas (melena)
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Mal-estar, tonturas e fraqueza
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Dor abdominal vaga ou desconforto após uso de AINE
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Em casos mais graves, vômitos com sangue ou quadro súbito de dor intensa por perfuração
Por isso o risco é considerado “silencioso”: o dano vai se acumulando sem chamar tanta atenção.
Como é feito o diagnóstico
O exame fundamental é a endoscopia digestiva alta, que permite:
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Visualizar úlcera(s) no duodeno e no estômago
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Identificar sinais de sangramento recente
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Coletar biópsias para pesquisa de H. pylori
Exames de sangue (hemograma, ferro, ferritina) ajudam a detectar anemia e a medir o impacto do sangramento crônico.
Como reduzir o risco ao usar anti-inflamatórios
Nem sempre é possível evitar completamente os AINEs, mas algumas estratégias diminuem o risco:
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Usar menor dose eficaz pelo menor tempo possível
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Evitar uso “por conta própria” e sem acompanhamento prolongado
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Em pacientes de risco, associar protetores gástricos (como inibidores de bomba de prótons) conforme orientação médica
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Avaliar alternativas de tratamento para dor (fisioterapia, ajustes de medicação, mudanças de estilo de vida)
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Pesquisar e tratar H. pylori em pacientes com história de úlcera ou em alto risco
Em quem já teve úlcera ou sangramento digestivo, o uso de AINE deve ser sempre muito criterioso.
Quando procurar avaliação especializada
É importante consultar um gastroenterologista se você:
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Usa AINE com frequência ou por períodos longos
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Tem mais de 60 anos e faz uso regular de anti-inflamatórios
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Apresenta cansaço, falta de ar aos esforços, palidez ou exames mostrando anemia
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Nota fezes muito escuras ou pegajosas, dor persistente na parte alta do abdome
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Já teve úlcera ou sangramento digestivo e voltou a usar anti-inflamatórios
Identificar cedo uma úlcera relacionada a AINE pode evitar sangramentos graves e internações.
Clínica Pronto Gastro São Paulo
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